A CONGA: Os pioneiros das bifanas no Porto

Na Rua do Bonjardim, uma das mais extensas do Porto, e no breve troço encravado entre a Avenida dos Aliados e a Rua de Sá da Bandeira fica a Conga, uma casa simples, mas muito recentemente renovada com ambição de atingir outros alvos, mas na qual a atualização da decoração serviu também para a essência do espaço sobressaísse.

A Conga é aquilo a que se pode chamar à moda do porto de ‘tasco’, onde existirá sempre o

As bifanas da Conga, de carne de porco cortada em finas aparas e cozinhadas em molho extra-picante são um excelente petisco no roteiro das noites da baixa do Porto.

As bifanas da Conga, de carne de porco cortada em finas aparas e cozinhadas em molho extra-picante são um excelente petisco no roteiro das noites da baixa do Porto.

ambiente caraterístico das casas de pasto do Porto, alguns berros, acompanhados com abundante pronúncia (e vernáculo) do Norte regadas com intriga nas conversas do balcão.

Logo à entrada, na montra está instalado o fogão, onde fervilha a poção mágica de fórmula mantida em segredo há mais de 37 anos na qual são cozinhadas as bifanas, segundo dizem as primeiras do Porto deste tipo, trazidas em pleno período de descolonização e pós-25 de abril, para a Invicta por um casal que regressava de Angola. À mesa somos imediatamente saudados por um serviço simpático, e sempre humoristicamente intrometido como é típico em casas tradicionais do Porto, sem nunca deixarem a deferência no trato ao cliente.

Chegadas à mesa, numa fria noite de Janeiro com um grupo de amigos, a cerca de dezena de bifanas no pão, picantes ao ponto de fazer cada um cuspir fogo como um verdadeiro dragão, acompanhadas por uma outra dezena de cervejas que por aqui se chamam ‘finos’ (é heresia pedir uma ‘imperial’ no Porto). À primeira seguiu-se a segunda e terceira rodada de bifanas, picantes e saciantes, de finíssimas raspas de porco cortado ainda congelado, tendo os mais destemidos arriscado ainda em papas de sarabulho para um maior conforto.

À clientela tradicional da baixa do Porto diurna, segue-se após o ocaso muita gente jovem, divididos entre estudantes e turistas, agora motivados pela apologia das bifanas feita por Anthony Bourdain num dos episódios da sua série filmada em Lisboa – “No Reservations” (o episódio pode ser visto através deste link). Fenómeno interessante este do chef/escritor/viajante americano que em tom de marketing soube apelar ao coração dos portugueses para produtos que caíam em desuso nas gerações mais novas rendidas, muitas delas, ao americanismo do fast food.  

A bifana está definida no preçário abaixo da barreira psicológica dos 2 euros – 1,95 €. E esta é uma das mais válidas opções para petiscar fora de horas numa incursão pela movida da baixa portuense (a Conga está aberta ao fim de semana até às 2h) e reparte-se entre dois espaços, geminados. Um dos espaços mantém o seu cariz de ‘cervejaria’, ou casa de pasto como preferirmos,  e outro conta com novas e mais avançadas ambições contando na carta com pratos mais refinados como o folhado de bifana, bife com molho al-funghi e mel e polvo com maionese de ervas. 

 

Mais informações

A Conga (Facebook)

Rua do Bonjardim, 314 -318 – Porto
Horário:  
  • Domingo, 2ª e 3ª  – 09h às 21h
  • 4ª a Sábado das 09h ás 02h da manhã  
Telefone: 22 200 01 13 

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