CABEÇO DE MONTACHIQUE: Lisboa e o Oeste aos nossos pés com um toque Grandella

Tantas vezes lá tínhamos passado, sempre com o desejo de ver quais os horizontes que cabiam na máquina fotográfica a partir do cimo daquele monte que deixa passar a autoestrada do Oeste – A8 – perto da cintura, logo ali, nos momentos iniciais de uma das nossas muitas viagens entre o sul e o norte de Portugal.

O Palácio- Castelo Grandella que afinal era para ser Sanatório

Através da estrada que liga Loures ao Cabeço de Montachique, a R374, chegamos a um

A ideia do Sanatório Albergaria tinha estas formas

A ideia do Sanatório Albergaria tinha estas formas

planalto, onde entre algumas casas dispersas do lado esquerdo surgem as ruínas daquilo a que os locais classificam como ‘castelo’ ou ‘palácio’, tratando-se do Sanatório Albergaria nos 3500

m2 de terreno cedidos por Francisco de Almeida Grandella em 1918 à Sociedade Secreta dos Makavenkos para construção desta infraestrutura. O projeto sairia da pena do arquiteto Rosendo Carvalheira, «simples, gracioso e pitoresco e fortemente inspirado em motivos portugueses», conforme  descrevia a revista “Arquitectura Portuguesa” em Julho de 1918.

O Sanatório Albergaria seria construído para receber 36 doentes com tuberculose (antigamente designada como ‘peste cinzenta’ ou ‘tísica dos pulmões’) em regime de internato gratuito. O edifício contaria ainda com  quartos para vigilantes, uma grande cozinha, refeitório, varanda de cura, farmácia, sala de pensos, arrecadações, banhos, forno crematório para pensos, desinfecção e enfermaria de isolamento. Como satélite deste sanatório seriam construídas 14 moradias independentes para ajudar a financiar este investimento e que também contribuiriam para dar resposta «à grande falta de habitação para os que, embora com meios para se tratarem, careçam de aí se instalar».

Ao lançamento da primeira pedra compareceria a aristocracia da época, o que contribuiu de

O Sanatório Albergaria visto da estrada

O Sanatório Albergaria visto da estrada

imediato para o aparecimento de uma ‘lenda’ local: com a recolha dos donativos para a construção um cofre teria sido colocado junto às fundações do edifício, à prova de roubo e de ladrões, conta-se entre os anciãos daquela zona. Até hoje o tesouro continua por encontrar, e o sanatório nunca seria concluído por dificuldades de financiamento apesar dos diversos apelos feitos por Francisco de Almeida Grandella à sociedade da época.

Podem ser vistas mais imagens do interior do sanatório aqui.

Bons ares e boas vistas

A zona sempre foi reconhecida pelos seus bons ares, daí terem existido mais sanatórios na região, presumem-se cinco ao todo, os quais se mantiveram em atividade até 1971. Depois

Ao fundo, a Serra de Sintra num dia de céu limpo

Ao fundo, a Serra de Sintra num dia de céu limpo

viria a fase decadente dos sanatórios do abandono e a natural condenação à ruína. Dois viriam a ser convertidos, um em centro de recuperação psiquiátrica e outro em escola.

Subindo por uma estrada asfaltada umas dezenas de metros depois do sanatório e do mesmo lado atingimos o ponto mais alto do concelho de Loures, (já quase na fronteira com as terras de Mafra) o Cabeço de Montachique, designação partilhada com a aldeia situada a poucos

quilómetros deste sítio.

No cimo dos 408m de altitude, que lhe conferem o 65º lugar entre as maiores elevações de Portugal,  ainda hoje é possível atestar a natureza vulcânica do local através de um manto basáltico que tem sido poupado da erosão ao longo dos séculos.

A vista para o lado nascente a partir do Cabeço de Montachique

A vista para o lado nascente a partir do Cabeço de Montachique

A panorâmica deixa-nos avistar, entre antigos moinhos e modernos aerogeradores, a Serra de Sintra (ou Monte da Lua), o rio Tejo, a Serra da Arrábida e a região Saloia com o seu terreno de caraterístico relevo. Neste ermo, com a autoestrada a correr-nos aos pés, conseguimos degustar de forma simples e enriquecedora de excelentes pores-do sol. Um local ideal para fotografar, tal como fizemos!

O trajecto!

De Loures ao Cabeço de Montachique (mapa aqui)  – 9,2 km

Onde comer nas imediações:

Churrasqueira Povoense (mais informações aqui)

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