Entre o trânsito o Sr. Zé, o amolador do S.L.Benfica

Estávamos parados no IC19, na interminável fila para Lisboa, perto do Palácio de Queluz até que irrompe da monocromática paleta de carros pretos e cinzentos que enchem as estradas de Portugal um triciclo motorizado

Descobrimos o Sr. Zé - o amolador do Benfica hoje de manhã no trânsito do IC19

Descobrimos o Sr. Zé – o amolador do Benfica hoje de manhã no trânsito do IC19

vermelho como o Flash Gordon, estridente como um trovão.  Ficamos absortos com a descoberta, mais tarde viríamos a descobrir através do blog ‘Arqueologista’ (do qual tivemos a ousadia de ‘captar’ algumas imagens) que era o Sr. Zé, amolador desde os 10 anos, e dos últimos que pela zona de Lisboa ainda vão tirando o reumatismo a facas e tesouras.

Nascido e criado para os lados do Bairro de São João, aprendeu os segredos do ofício  com o pai. Com a cidade a crescer, o Sr. Zé deixou de pedalar, passando a andar na sua motoreta do seu glorioso clube evitando as quedas que já se faziam ressentir no esqueleto.
O seu Ape 50 da Piaggio está decorado como manda a lei, de anjos barrocos, a várias buzinas, sem esquecer claro a Nossa Senhora no claustrofóbico habitáculo entre águias e símbolos do S.L.B. Na publicidade, toda pintada a pincel como manda as regras do bom design gráfico, disparam “tesouras” e “facas” entre águias e símbolos do benfas.
O triciclo estridente ao melhor estilo de Flash Gordon descoberto num outro blog

O triciclo estridente ao melhor estilo de Flash Gordon descoberto num outro blog

Lemos também que é pessoa bem disposta este Sr. Zé, soltando notas de Marco Paulo enquanto se adiantam moedas para pagar serviços de amolador: facas é 1.50€, tesouras 2,50€ e os chapéus, de chuva ou de sol, são a 5€. Contam-se também histórias de Lisboa, episódios de novelas do dia a dia acompanhadas quase sempre por baladas de Hill Street à portuguesa, onde os polícias são «os gajos da Ramona». 

O Sr. Zé pode ser avistado por toda a Lisboa, vai andando e amolando, um pouco por aqui e por ali, de Algés a Sacavém, de Queluz a Alfama. Há quanto tempo não vê um amolador de tesouras?

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